O número de pessoas pretas com ensino superior completo aumentou 5,8 vezes, entre 2000 e 2022, superando o crescimento observado entre brancos (2,6 vezes) e pardos (5,2 vezes). Os dados são do Censo Demográfico 2022: Educação: Resultados Preliminares da Amostra, divulgado nesta quarta-feira (26/02) pelo IBGE. Apesar desse progresso, a desigualdade racial na educação superior ainda é evidente.
Em 2000, a proporção de brancos com ensino superior era quatro vezes maior que a de pretos e pardos. Em 2022, essa diferença diminuiu, mas ainda persiste. A população amarela se destaca com o maior percentual de pessoas com ensino superior completo (44,1%), enquanto a população indígena apresenta os menores índices de escolaridade, com apenas 8,6% de pessoas com ensino superior completo.
Apesar do aumento no acesso ao ensino superior, a população negra ainda enfrenta desafios significativos. O maior percentual de pessoas sem instrução e com ensino fundamental incompleto está entre pretos (40,5%) e pardos (40,1%), enquanto a população branca apresenta um índice de 29,2%.
A população indígena também enfrenta dificuldades, com mais da metade (51,8%) sem instrução ou com ensino fundamental incompleto. Esses dados ressaltam a necessidade de políticas públicas que promovam a igualdade racial na educação, desde a educação básica até o ensino superior.

Brancos são 75% dos graduados em medicina
A distribuição da população com nível superior completo por cor ou raça difere bastante entre as diferentes áreas detalhadas dos cursos de graduação concluídos. Entre as pessoas com graduação concluída na área de “Medicina”, por exemplo, 75,5% eram da cor ou raça branca.
Já entre as pessoas com graduação concluída na área de “Serviço social”, a proporção de pessoas de cor ou raça branca era, em 2022, de 47,2%. Esses eram respectivamente o maior e o menor valor entre as 40 áreas detalhadas com maior ocorrência em 2022.
Destaques
- A população de cor ou raça amarela tem o maior percentual com nível superior completo (44,1%) e a menor proporção de pessoas sem instrução ou com fundamental incompleto (17,6%).
- Em 2022, entre as pessoas com graduação em Medicina,75,5% eram brancas, 19,1% eram pardas e 2,8% eram pretas. Já entre as pessoas com graduação em Serviço social, 47,2% eram brancas, 40,2% eram pardas e 11,8% eram pretas.
Foto: Faculdade Zumbi dos Palmares