O Censo Demográfico de 2022 revelou um panorama da educação brasileira com avanços significativos, mas também com desafios persistentes. A frequência escolar cresceu em quase todas as faixas etárias entre 2000 e 2022, impulsionada principalmente pela expansão do acesso à educação infantil. No entanto, as metas do Plano Nacional de Educação (PNE) ainda não foram totalmente alcançadas, especialmente para crianças de 0 a 5 anos.
Os dados do Censo mostram um aumento notável na frequência escolar entre as crianças mais novas. Na faixa de 0 a 3 anos, a taxa de frequência escolar bruta saltou de 9,4% em 2000 para 33,9% em 2022, um avanço de 24,5 pontos percentuais. Entre as crianças de 4 a 5 anos, o crescimento foi ainda mais expressivo, com a taxa passando de 51,4% para 86,7%, um aumento de 35,3 pontos percentuais.
Desafios
Apesar dos avanços, o Brasil ainda não atingiu as metas do PNE para a educação infantil. A meta 1 do PNE estabelece a universalização da educação infantil na pré-escola (4 a 5 anos) e a ampliação da oferta de creches para atender, no mínimo, 50% das crianças de até 3 anos. Em 2022, a taxa de frequência escolar bruta para crianças de 4 a 5 anos foi de 86,7%, enquanto para crianças de 0 a 3 anos foi de 33,9%.
Uma tendência preocupante observada no Censo 2022 é a queda na frequência escolar entre jovens de 18 a 24 anos. A taxa de frequência escolar bruta nessa faixa etária diminuiu 0,7 pontos percentuais entre 2000 e 2010, e mais 2,9 pontos percentuais entre 2010 e 2022. Segundo a analista Juliana Queiroz, do IBGE, essa redução se deve à diminuição da parcela de jovens que frequentam o ensino médio ou níveis anteriores.

Anos de Estudo
O Censo 2022 também revelou dados sobre os anos de estudo da população brasileira. Em média, a população com 25 anos ou mais tinha 9,6 anos de estudo em 2022. São Caetano do Sul (SP) se destacou como o município com a maior média de anos de estudo, com 12,7 anos.
As desigualdades regionais na educação ainda são um desafio no Brasil. O Distrito Federal e os estados do Sul e Sudeste apresentam as maiores médias de anos de estudo, enquanto os estados do Norte e Nordeste têm as menores médias. Além disso, a frequência escolar é mais baixa em áreas rurais e entre a população de baixa renda.
Investimentos
Para superar os desafios e garantir o acesso à educação de qualidade para todos, o Brasil precisa investir em políticas públicas eficazes. É fundamental ampliar a oferta de vagas na educação infantil, melhorar a qualidade do ensino em todos os níveis e reduzir as desigualdades regionais. Além disso, é preciso investir na formação de professores, na infraestrutura das escolas e na valorização da educação como um todo.
Destaques
- De 2000 a 2022, a frequência escolar cresceu nos grupos etários até os 17 anos. Para as crianças de 0 a 3 anos, a taxa de frequência escolar bruta saltou de 9,4% para 33,9%. Na faixa de 4 a 5 anos, a frequência subiu de 51,4% para 86,7%. No grupo de 6 a 14 anos, próximo da universalização, a taxa foi dos 93,1% aos 98,3%. Na faixa de 15 a 17 anos, a frequência subiu de 77,4% para 85,3%.
- O único grupo com recuo na frequência escolar foi o dos 18 aos 24 anos: 31,3% em 2000 e 27,7% em 2022, devido à redução da parcela desses jovens no ensino médio ou em níveis anteriores.
Foto: Sumaia Vilela / Agência Brasil