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Mais da metade dos estudantes brasileiros tem baixo desempenho em matemática e ciências; revela estudo

Um novo estudo internacional colocou em evidência as dificuldades dos estudantes brasileiros em matemática e ciências. A primeira participação do Brasil no Estudo Internacional de Tendências em Matemática e Ciências (TIMSS) revelou que a maior parte dos alunos do 4º e 8º anos do ensino fundamental não domina conhecimentos básicos nessas áreas.

Divulgado nesta quarta-feira (4), o TIMSS mostrou que mais da metade dos estudantes brasileiros do 4º ano não consegue resolver problemas simples de matemática, como somar números de três dígitos. Em ciências, a situação é igualmente preocupante: mais de um terço não sabe que as plantas precisam de luz para sobreviver.

Os resultados posicionam o Brasil abaixo da média internacional em ambas as disciplinas e em ambos os anos avaliados. O país ficou atrás de nações como Chile, Espanha, Portugal e Finlândia, e à frente apenas de Marrocos.

O que o estudo revela

  • Desempenho abaixo do esperado: A maior parte dos estudantes brasileiros não alcança nem o nível mais baixo de proficiência em matemática e ciências.
  • Dificuldades em conceitos básicos: Os alunos demonstram dificuldades em resolver problemas simples e em compreender conceitos fundamentais.
  • Desigualdades: As escolas privadas e as localizadas em zonas urbanas apresentaram melhores resultados do que a média nacional.

Bullying

De acordo com os dados do estudo internacional, o bullying tem uma forte influência no desempenho escolar dos estudantes brasileiros. No 4º ano, 24% dos alunos afirmaram sofrer bullying, e esses estudantes apresentaram uma média de desempenho de 368 pontos em matemática e 387 pontos em ciências. Por outro lado, 48% dos estudantes que relataram nunca ou quase nunca sofrer bullying alcançaram uma média de 427 e 459 pontos, respectivamente, demonstrando uma diferença significativa de desempenho.

No 8º ano, 23% dos alunos também indicaram sofrer bullying. Esses estudantes tiveram uma média de 384 pontos em ciências e 346 pontos em matemática. Os 43% brasileiros que alegaram sofrer bullying quase nunca ou nunca alcançaram a média de 446 pontos em ciências e de 403 em matemática.

O estudo também informa sobre a interação dos resultados com o nível socioeconômico e senso de pertencimento à escola.

O que significa para o Brasil:

Os resultados do TIMSS servem como um alerta para a necessidade de melhorias urgentes no ensino de matemática e ciências no Brasil. É preciso investir em políticas públicas que promovam a qualidade da educação, capacitem os professores e ofereçam um currículo mais eficaz.

Próximos passos:

O Ministério da Educação (MEC) deve analisar os dados do TIMSS em detalhes para identificar as principais causas dos problemas e implementar medidas para reverter esse cenário. É fundamental investir em formação continuada dos professores, em recursos didáticos adequados e em uma avaliação mais eficaz do aprendizado.

O que é o TIMSS

O TIMSS é um estudo internacional que avalia o desempenho de estudantes em matemática e ciências a cada quatro anos. A participação do Brasil nesse estudo permite comparar o desempenho dos estudantes brasileiros com o de outros países e identificar as áreas que precisam de maior atenção.

O estudo é aplicado em ciclos de 4 anos (1995, 1999, 2003, 2007, 2011, 2015, 2019 e 2023). O objetivo é avaliar o desempenho de estudantes do 4º e 8º anos do ensino fundamental nas áreas de matemática e ciências, além de analisar os contextos de aprendizagem.

A escala de proficiência do Timss é dividida em quatro níveis e pontos de corte: avançado (625), alto (550), intermediário (475) e baixo (400). Esses níveis são usados para categorizar os resultados dos alunos, refletindo sua capacidade nas áreas de matemática e ciências.

Embora o estudo seja aplicado tanto no 4º quanto no 8º ano do ensino fundamental, os pontos de corte da escala de proficiência são os mesmos para os dois anos, ou seja, os critérios de desempenho que definem os diferentes níveis de proficiência não variam dependendo da série escolar. Isso permite uma comparação direta entre os desempenhos dos alunos de diferentes países e sistemas educacionais, independentemente de estarem no 4º ou no 8º ano.

Amostra

A aplicação do Timss contou com a participação de 44.900 estudantes de escolas públicas e privadas em todo o país. Desses, 22.130 estavam matriculados no 4º ano do ensino fundamental e 22.770, no 8º ano. Ao todo, 796 escolas participaram da pesquisa no 4º ano, com informações coletadas de 1.187 professores de matemática e ciências. Já no 8º ano, 849 escolas foram envolvidas, com a colaboração de 904 professores de matemática e 916 de ciências. O Brasil atingiu taxas de participação de pelo menos 75% tanto no 4º quanto no 8º ano.

Os resultados do TIMSS são preocupantes, mas também oferecem uma oportunidade para o Brasil repensar sua política educacional e investir em um futuro mais promissor para seus estudantes. É fundamental que o governo, a sociedade e a comunidade escolar trabalhem juntos para garantir que todos os alunos tenham acesso a uma educação de qualidade.

Foto: Kikovic – iStock

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